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Site para psicólogo: o que precisa ter e o que o Código de Ética não permite
O que um site de psicólogo precisa ter, as páginas essenciais, os cuidados com o artigo 20 e a LGPD, e quando vale ter um site além do Instagram.
· Por Felipe

Muitos consultórios funcionam só com Instagram e WhatsApp, e isso pode bastar por um tempo. Mas há um momento em que o perfil deixa de dar conta: quando quem chega por indicação pesquisa o seu nome no Google e não encontra nada, quando você precisa explicar o mesmo processo em toda primeira conversa, ou quando quer que o consultório seja encontrado por quem ainda não conhece você.
É aí que entra o site. Este texto explica o que um site de psicólogo precisa ter, quais páginas são essenciais, o que o Código de Ética não permite e que cuidados tomar com dados pessoais.
Site ou só Instagram?
Os dois cumprem papéis diferentes. A rede social é boa para frequência, conteúdo e relacionamento; o site é bom para ser encontrado em buscas, reunir informações estáveis e mostrar, num único lugar, quem você é e como trabalha.
Um site costuma fazer sentido quando:
- Você quer ser encontrado por quem pesquisa no Google pela sua especialidade ou cidade.
- Recebe muitas indicações e as pessoas pesquisam seu nome antes de chamar.
- Atende um público específico e precisa explicar com calma o que faz.
- Não quer depender de uma única plataforma para ser encontrado.
Um site não precisa ser grande. Uma página bem feita, com as informações certas, costuma resolver mais do que dez páginas genéricas.
O que um site de psicólogo precisa ter
1. Identificação completa
O artigo 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo determina que toda divulgação informe nome completo, CRP e número de registro. No site, isso deve aparecer de forma visível — no topo, no rodapé ou na página “Sobre”, e não escondido.
2. Para quem você atende
Público, faixa etária e principais demandas. Essa é a primeira pergunta de quem chega, e a que mais ajuda a pessoa certa a se reconhecer.
3. Como você trabalha
Abordagem, formato (presencial, online ou ambos), duração e frequência das sessões, como é o primeiro contato. Explique em linguagem simples, sem jargão.
4. Formação e qualificações
Apenas títulos e qualificações que você possui, e somente técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão — de novo, regra do artigo 20.
5. Contato claro
Um caminho principal (WhatsApp, formulário ou agenda) e, se houver atendimento presencial, endereço com mapa. Quanto menos passos até a primeira mensagem, melhor.
6. Páginas legais
Se o site coleta dados — formulário, newsletter, cookies de medição —, ele precisa de uma política de privacidade que explique o que é coletado, para quê e por quanto tempo, como pede a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018).
O que o Código de Ética não permite no site
As mesmas regras que valem para o Instagram valem para o site. Os pontos que mais aparecem em sites de psicólogos:
- Preço como chamariz. O artigo 20 veda usar o preço do serviço como forma de propaganda. A cartilha do CRP-MG inclui nisso gratuidade, descontos, pacotes e “preço social”. Tratamos disso em detalhe em psicólogo pode divulgar preço?
- Promessa de resultado. “Acabe com a ansiedade em 8 sessões” é previsão taxativa de resultado. Descreva objetivos e possíveis benefícios de forma geral, sem garantir nada.
- Depoimentos de pacientes. Além do risco ao sigilo, a cartilha do CRP-MG não recomenda o uso de depoimentos quando o foco é promover o profissional, mesmo com autorização.
- Comparação com colegas. “O melhor psicólogo da cidade” é autopromoção em detrimento de outros profissionais.
- Imagens de atendimento. Fotos de sessão, de pacientes ou de material produzido em atendimento ficam de fora.
Atendimento online no site
Se você atende online, vale dizer isso com clareza no site. O atendimento por meios digitais tem regulamentação própria do Conselho Federal de Psicologia, que inclui cadastro na plataforma e-Psi. Como a norma já foi atualizada mais de uma vez, confira a resolução vigente no site do CFP ou com o seu Conselho Regional antes de divulgar.
Estrutura mínima que funciona
Para um consultório individual, uma estrutura enxuta costuma bastar:
- Página inicial — quem você é, para quem atende, como trabalha e um botão de contato, tudo no primeiro rolar da tela.
- Sobre — formação, trajetória e abordagem, com nome completo e CRP.
- Atendimento — formatos, público, como é o primeiro contato, perguntas frequentes.
- Conteúdo (opcional) — artigos que respondem às dúvidas do seu público.
- Contato e páginas legais — canal principal, endereço se houver, política de privacidade.
Comece pequeno e bem feito. É mais fácil acrescentar uma página depois do que manter dez páginas desatualizadas.
Ser encontrado no Google
Alguns cuidados básicos fazem diferença para o site aparecer nas buscas:
- Título e descrição de cada página com o que a pessoa pesquisaria — por exemplo, “psicóloga infantil em [cidade]”.
- Um único endereço (com ou sem “www”), com o outro redirecionando para ele.
- Site rápido e legível no celular, onde acontece a maior parte das buscas.
- Perfil da Empresa no Google com o mesmo nome, endereço e contato do site, se houver atendimento presencial.
- Conteúdo útil — artigos que respondem às perguntas reais do seu público ajudam o site a ser encontrado com o tempo.
Acessibilidade não é detalhe
Texto com bom contraste, fontes legíveis, botões grandes o bastante para o toque e imagens com descrição (texto alternativo) tornam o site utilizável por mais pessoas. A referência mais usada é a WCAG 2.1, que pede, por exemplo, contraste mínimo de 4,5:1 para texto comum.
O site é a marca em outro formato
Um site com template genérico e fotos de banco de imagem diz pouco sobre você. Quando ele nasce da mesma estratégia que orienta a identidade visual e verbal do consultório, cores, textos e organização das informações passam a contar a mesma história do Instagram, do cartão e da primeira conversa. Falamos sobre isso em branding para psicólogos.
Checklist rápido
- Nome completo, “psicólogo(a)” e CRP visíveis?
- Público, formato e primeiro contato explicados em poucas linhas?
- Nenhum preço, desconto ou gratuidade como chamariz?
- Nenhuma promessa de resultado nem depoimento de paciente?
- Política de privacidade, se o site coleta dados?
- Funciona bem no celular e tem bom contraste?
- Título e descrição de cada página com o que o seu público pesquisa?
Como o estúdio trabalha
A Made by Felipe constrói a marca de consultórios de psicologia em dois dias de imersão: posicionamento, identidade visual e verbal, no ar em 45 dias, dentro do artigo 20 do Código de Ética. A página profissional faz parte das entregas. Se quiser conversar sobre o site do seu consultório, o primeiro passo é uma conversa de 15 minutos.
Fontes
- Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 10/2005 — Código de Ética Profissional do Psicólogo, art. 20.
- Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais. Orientações sobre publicidade profissional, edição de 2026.
- Brasil. Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
- W3C. Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.1.